Veja com Felipe Rassi quais cuidados jurídicos são essenciais em operações financeiras estruturadas

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
6 Min de leitura
Felipe Rassi

Operações financeiras estruturadas são, por definição, complexas, menciona o especialista jurídico Felipe Rassi. Elas envolvem múltiplas partes, instrumentos que combinam características de diferentes classes de ativos, fluxos financeiros que dependem de condições futuras e estruturas contratuais que precisam funcionar com precisão em cenários que ninguém consegue prever completamente. Nesse ambiente, o cuidado jurídico não é uma formalidade acessória: é a arquitetura que sustenta todo o restante. 

Para gestores, investidores e assessores que atuam nesse segmento, a análise oferece um mapa dos cuidados que não podem ser negligenciados. Continue a leitura para mais!

Por que a estruturação jurídica precisa começar antes da estrutura financeira?

Existe uma sequência lógica que operações bem-sucedidas raramente violam: a análise jurídica precede a estruturação financeira, não o contrário. Quando a ordem se inverte, e a estrutura financeira é definida antes de verificar sua viabilidade jurídica, surgem problemas que costumam ser muito mais caros de resolver do que seriam de prevenir. A descoberta, após a formalização da operação, de que uma garantia não pode ser constituída da forma planejada, de que um veículo societário tem restrições regulatórias não previstas ou de que um contrato central da operação tem cláusulas inválidas pode inviabilizar toda a estrutura ou exigir reestruturações de alto custo.

De acordo com Felipe Rassi, a análise jurídica inicial precisa endereçar, ao menos, as seguintes dimensões: validade e executabilidade dos instrumentos contratuais propostos, licitude das estruturas de garantia considerando as leis aplicáveis, conformidade regulatória com as normas do Banco Central, CVM e demais órgãos relevantes, e implicações tributárias da estrutura tanto no momento da constituição quanto ao longo da vida da operação. Cada uma dessas dimensões pode revelar restrições ou oportunidades de otimização que influenciam significativamente o design final da operação.

A qualidade do assessor jurídico escolhido para esse trabalho é, portanto, variável crítica do resultado. Profissionais com experiência superficial em operações financeiras estruturadas tendem a identificar apenas os riscos mais evidentes, deixando passar os que requerem maior sofisticação técnica ou conhecimento específico do segmento. A escolha de assessoria especializada, mesmo que represente custo maior no início, é uma das formas mais eficientes de gestão de risco em qualquer operação estruturada, destaca Felipe Rassi.

Quais são os pontos de maior vulnerabilidade jurídica em estruturas financeiras?

Conforme expressa o especialista jurídico, Felipe Rassi, as garantias são um dos pontos de maior vulnerabilidade jurídica em operações financeiras estruturadas. A constituição inadequada de uma garantia real, seja por falta de registro, por vício formal no instrumento ou por ausência de poder de representação de quem assinou, pode tornar a proteção do credor inexistente no momento em que ela seria necessária. A verificação rigorosa da cadeia de constituição das garantias, incluindo a confirmação de que o garantidor tinha legitimidade para oferecê-las e de que todos os requisitos formais foram cumpridos, é etapa não negociável em qualquer operação bem estruturada.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

A regulação de conflitos entre credores é outra área de risco frequentemente subestimada. Em estruturas com múltiplas camadas de dívida, a existência de acordos de intercredores claros e executáveis é fundamental para que cada parte saiba exatamente qual é sua posição em diferentes cenários, incluindo o de inadimplência. Quando esses acordos são omissos ou ambíguos, os conflitos que surgem em situações de estresse tendem a se resolver por via judicial, com custos e incertezas que prejudicam todos os envolvidos.

Como construir documentação contratual que resista ao estresse?

A documentação contratual de operações financeiras estruturadas precisa ser projetada para funcionar não apenas em condições normais, mas nos cenários mais adversos que possam surgir ao longo da vida da operação. Contratos que pressupõem boa vontade e cooperação das partes em todas as circunstâncias são frágeis por definição. Os melhores instrumentos contratuais descrevem com precisão o que acontece quando algo dá errado: quais são os eventos de inadimplência, quais são os remédios disponíveis para o credor, quais são os prazos de cura e como o processo de execução se desenvolve.

Conforme aponta o empresário Felipe Rassi, a clareza das definições contratuais é um aspecto frequentemente subestimado que tem impacto enorme na executabilidade dos contratos. Termos imprecisos sobre o que constitui um evento de inadimplência, sobre como determinado índice financeiro é calculado ou sobre quais condições disparam uma cláusula específica geram disputas que podem paralisar a execução exatamente quando ela deveria ser mais ágil. A dedicação ao rigor terminológico durante a redação dos contratos poupa tempo, custo e desgaste significativos no futuro.

A governança da operação ao longo de sua vida também precisa estar refletida nos documentos contratuais. Quem tem poder de tomar determinadas decisões, quais alterações exigem aprovação de todas as partes, como novas informações relevantes devem ser compartilhadas e quais são os mecanismos de resolução de disputas entre as partes são questões que precisam de respostas claras antes que a necessidade de usá-las apareça. Estruturas de governança bem documentadas reduzem a dependência de relações pessoais e criam um framework objetivo para a gestão de situações imprevistas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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