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Revista Medica Notícias > Blog > Noticias > Recuperação energética a partir de resíduos: por que o Brasil ainda desperdiça o que poderia virar eletricidade
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Recuperação energética a partir de resíduos: por que o Brasil ainda desperdiça o que poderia virar eletricidade

Dominic Valeri
Por Dominic Valeri 17/06/2026
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7 Min de leitura
Odair José Mannrich
Odair José Mannrich
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O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, integra uma geração de profissionais que há décadas observa um paradoxo nacional: o Brasil produz lixo em escala crescente e, ao mesmo tempo, enfrenta crises energéticas periódicas, sem conectar esses dois problemas de forma estruturada. Nos próximos parágrafos, você vai descobrir por que a recuperação energética a partir de resíduos sólidos ainda é marginal no país, o que impede sua expansão e quais mudanças estão colocando esse debate no centro da agenda ambiental e energética brasileira.

Contents
O que é recuperação energética e por que ela importa agora?Por que o país ainda não virou essa chave?Biogás de aterro: a oportunidade mais acessível e ainda subutilizadaGaseificação e pirólise: tecnologias em expansão que chegam ao BrasilO caminho que ainda precisa ser percorrido

O que é recuperação energética e por que ela importa agora?

Recuperação energética é o processo pelo qual resíduos sólidos, em vez de serem simplesmente descartados em aterros, são convertidos em energia elétrica, térmica ou combustível. As tecnologias mais utilizadas incluem a incineração com aproveitamento de calor, a gaseificação, a pirólise e o aproveitamento do biogás gerado em aterros sanitários. Em países como Alemanha, Suécia e Japão, essa abordagem já faz parte da matriz energética e da política de gestão de resíduos há décadas.

No Brasil, o cenário é diferente. Segundo dados do setor, mais de 40% dos resíduos sólidos urbanos ainda são destinados a lixões ou aterros controlados, sem qualquer aproveitamento energético. Isso representa não apenas um problema ambiental, mas uma perda econômica concreta: toneladas de material com potencial energético são enterradas diariamente sem gerar nenhum retorno além do espaço ocupado.

Por que o país ainda não virou essa chave?

As razões são múltiplas e se acumulam ao longo do tempo. Primeiramente, há uma questão regulatória: a legislação brasileira, embora tenha avançado com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ainda apresenta lacunas para viabilizar empreendimentos de recuperação energética em larga escala. A ausência de marcos tarifários claros e de incentivos fiscais específicos desestimula investimentos privados no setor, informa Odair José Mannrich.

Ainda existe uma resistência técnica e política em determinadas regiões. A incineração, por exemplo, ainda é associada por parte da população à poluição atmosférica, mesmo quando se trata de plantas modernas com sistemas rigorosos de controle de emissões. Essa percepção dificulta a aprovação de projetos e prolonga processos de licenciamento ambiental, que já são naturalmente complexos.

Conforme destaca a literatura técnica sobre o tema, a falta de integração entre as políticas de energia e de saneamento é outro fator limitante. No Brasil, essas áreas historicamente foram geridas de forma separada, o que impediu o desenvolvimento de soluções sistêmicas que conectassem a geração de resíduos urbanos à produção de energia distribuída.

Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Biogás de aterro: a oportunidade mais acessível e ainda subutilizada

Entre as alternativas disponíveis, o aproveitamento do biogás gerado em aterros sanitários representa a porta de entrada mais viável para o Brasil no curto prazo. O processo é relativamente simples, visto que a decomposição da matéria orgânica nos aterros gera metano, que pode ser captado e convertido em energia elétrica ou injetado na rede de gás natural.

Para o engenheiro Odair José Mannrich, com trajetória ligada à engenharia ambiental e à gestão de infraestrutura de resíduos, esse é um campo em que a experiência técnica acumulada pode ser decisiva para viabilizar projetos que ainda dependem de engenharia especializada, planejamento de longo prazo e conhecimento regulatório aprofundado.

Atualmente, apenas uma fração dos aterros sanitários brasileiros opera com sistemas de captação e aproveitamento de biogás. A maioria simplesmente queima o gás gerado, eliminando o problema imediato da emissão de metano na atmosfera, mas desperdiçando seu potencial energético.

Gaseificação e pirólise: tecnologias em expansão que chegam ao Brasil

Enquanto o biogás representa uma solução de curto prazo, tecnologias como a gaseificação e a pirólise começam a despertar interesse crescente entre gestores públicos e investidores privados brasileiros. A gaseificação converte resíduos sólidos em um gás de síntese utilizável na geração de energia, enquanto a pirólise transforma materiais orgânicos em combustíveis líquidos, sólidos e gasosos por meio do aquecimento sem oxigênio. Odair José Mannrich explica que, com atuação consolidada em engenharia ambiental e infraestrutura de resíduos, esse avanço tecnológico representa uma das transformações mais relevantes do setor nas próximas décadas.

Essas tecnologias já operam em escala comercial em diversos países e começam a ser testadas em projetos-piloto no Brasil. A curva de aprendizado ainda é longa, mas o interesse regulatório e técnico está crescendo, especialmente em municípios que enfrentam limitações de espaço para novos aterros e pressão por alternativas sustentáveis.

O caminho que ainda precisa ser percorrido

Para que a recuperação energética a partir de resíduos se consolide no Brasil, será necessário avançar em pelo menos três frentes simultaneamente: atualização do marco regulatório, capacitação técnica dos municípios e atração de investimentos de longo prazo. Segundo especialistas do setor, nenhuma dessas frentes se resolve isoladamente.

Na visão de profissionais como o engenheiro Odair José Mannrich, o maior desafio não é tecnológico. As soluções existem, estão provadas e são economicamente viáveis em determinadas escalas. O que falta é vontade política combinada com capacidade técnica de implementação, especialmente nos municípios de médio e pequeno porte, onde a gestão de resíduos ainda é precária e o potencial energético, praticamente inexplorado.

O Brasil tem tudo para liderar esse movimento na América Latina. Tem volume de resíduos, tem demanda energética, tem tecnologia disponível e tem profissionais qualificados. O que ainda falta construir é o ambiente institucional que permita que essas peças se encaixem.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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