Ciclismo brasileiro: Quais tendências internacionais podem ganhar força por aqui? 

Dominic Valeri
Por Dominic Valeri
5 Min de leitura
Rolando Bonaccorsi

De acordo com Rolando Bonaccorsi, o ciclismo brasileiro passa por uma fase de diversificação, influenciada por mudanças que já ganharam espaço em outros mercados, como a expansão do gravel, o crescimento de eventos de longa distância, o uso de dados para treinamento e a busca por experiências que combinem esporte e turismo. Esse cenário permite observar como as tendências internacionais podem ser adaptadas às características de quem pedala no Brasil, considerando as diferenças de infraestrutura, território, clima e cultura esportiva.

Leia mais a seguir!

Gravel pode ampliar as possibilidades de percurso

O crescimento do gravel é uma das tendências internacionais que mais chama atenção no ciclismo atual. A modalidade combina características do ciclismo de estrada com percursos de terra e diferentes tipos de superfície, permitindo explorar regiões que não dependem exclusivamente de grandes rodovias asfaltadas. Essa característica também amplia as possibilidades de treinamento e competição, já que o ciclista precisa lidar com variações de terreno, aderência e ritmo ao longo do percurso.

No Brasil, essa proposta encontra espaço em razão da variedade de estradas rurais, caminhos de interior e regiões com características favoráveis a pedais de longa distância. A possibilidade de alternar terrenos também cria uma experiência diferente daquela encontrada em provas tradicionais de estrada. Para quem busca percursos menos previsíveis, essa diversidade pode transformar o próprio trajeto em parte relevante da experiência esportiva.

Mais do que uma categoria de bicicleta, Rolando Bonaccorsi destaca que o gravel representa uma mudança na maneira de pensar o pedal. A velocidade continua importante para quem compete, mas a exploração, autonomia e contato com diferentes ambientes passam a ter maior peso, aproximando esporte e aventura. Essa combinação ajuda a explicar por que a modalidade pode atrair tanto ciclistas interessados em competição quanto praticantes que procuram novas formas de explorar o território sobre duas rodas.

Provas amadoras podem ganhar novos formatos

Outra tendência internacional, segundo Rolando Bonaccorsi, é a diversificação dos eventos destinados a ciclistas amadores. Além da competição tradicional, provas de longa distância podem incorporar experiências relacionadas a turismo, gastronomia, paisagens e convivência entre participantes. Com isso, o evento deixa de ser percebido apenas como uma disputa por tempo e passa a valorizar também a experiência proporcionada ao longo do percurso.

Esse formato tem potencial no Brasil porque diferentes regiões possuem características que podem ser exploradas por eventos esportivos. Percursos em áreas rurais, regiões serranas e destinos turísticos podem transformar uma competição em uma experiência que começa antes da largada e continua depois da chegada. A escolha do trajeto passa, assim, a ter importância semelhante à estrutura da prova, especialmente para participantes que conciliam o ciclismo com viagens e atividades de lazer.

Dados devem ganhar mais espaço no treinamento

O uso de tecnologia é outra transformação que pode avançar entre ciclistas brasileiros. Medidores de potência, sensores, ciclocomputadores e plataformas de treinamento permitem acompanhar informações que vão muito além de distância e velocidade, oferecendo uma visão mais detalhada sobre esforço e desempenho. Esses recursos também permitem comparar diferentes sessões e observar como o corpo responde a mudanças de intensidade, duração e condições do percurso.

A tendência internacional aponta para uma utilização cada vez mais integrada desses dados. Em vez de observar cada métrica separadamente, ciclistas e treinadores podem relacionar potência, frequência cardíaca, carga de treinamento, recuperação e características do percurso para compreender melhor a resposta individual. Essa combinação ajuda a evitar interpretações baseadas em um único número e permite identificar padrões que podem passar despercebidos quando cada informação é analisada isoladamente.

A experiência de Rolando Bonaccorsi com IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações permite estabelecer uma associação natural com esse movimento. No esporte, assim como em outros ambientes orientados por informação, acumular dados não é suficiente. O diferencial está em interpretar os números e utilizá-los para responder perguntas concretas. No ciclismo, isso significa transformar métricas em decisões sobre treinamento, recuperação e desempenho, sem tratar os dados como substitutos da avaliação individual.

Compartilhe esse artigo