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Aos 95 anos, médica aposentada se dedica à produção de alimentos e fala sobre ‘segredo’ da longevidade: ‘Boa leitura, bons pensamentos e bons amigos’

No Dia do Médico, Diana Tannos, que atuou por quase 60 anos na Medicina, fala sobre carreira e qualidade de vida. De geleia a molho de tomate, médica aposentada mostra seus dotes na produção dos próprios alimentos.

Tic tac, tic tac, tic tac… O velho cuco na parede tenta, mas não consegue intimidar Diana Tannos. Médica por quase seis décadas, hoje, aos 95 anos, ela não se deixa levar por qualquer coisa, principalmente, por nenhum tempo.

Calmamente, como é de praxe, sentada, como é de costume quando anfitriã, ela aguarda mais um hóspede. Dessa vez, não se trata de mais um aluno, ou algum colega de tantos anos de trabalho, situação comum em seu apartamento, no Centro de Sorocaba (SP).

Já com a porta aberta, ela está ao lado de um altar com vários santos. O “pode entrar” nos lembra da cortesia sempre presente na doutora Diana, mas, mais do que isso, nos remete à máxima que ela aplica à hospitalidade dos quem chegam. “O hóspede é enviado por Deus”, diz.

O g1 agradece. A ideia, aliás, era falar sobre o Dia do Médico, comemorado nesta quinta-feira (18). Sem pressa. Ela vai falar, mas antes, revela alguns segredos para se manter ativa, mesmo quase centenária.

Antenada, ela lembra que recebeu uma receita pelo WhatsApp, e compartilha com a reportagem. Claro que ela coloca a receita em prática, ampliando seus dotes culinários, que já são bem extensos. Na cozinha, nós provamos a receita. A geleia, mesmo sendo de pimenta, tem sabor suave, e a especiaria é quase imperceptível.

Embora tenhamos invertido a ordem, comendo a sobremesa antes do prato principal, valeu a pena. A esfirra de azedinha – uma planta com inúmeros benefícios, cuja massa e o recheio são totalmente artesanais, e mostram que a doutora Tannos sabe das coisas.

Para quem pensa que não, teve mais sobremesa. Mais uma vez, sem qualquer aditivo, conservante ou açúcar industrial. A receita cabe em uma linha: manga Palmer, iogurte natural e mel, tudo batido no liquidificador. Pronto! Ah, o iogurte natural da receita, ela mesma que preparou.

Para fechar a parte “doce” de estar com a Diana, teve geleia de tangerina caipira, feita só com as “garrafinhas do fruto”. “Sem querer”, já que não estava no “menu”, ela nos convida a experimentar geleia caseira de damasco. Claro, no fogo, o molho de tomate artesanal que ela também faz.

Não teve “fabricação” da massa no dia em que a reportagem visitou a médica, mas a dona Diana Tannos fez questão de mostrar a máquina que a ajuda a fazer as gostosuras caseiras.

Na sala, mais lições de como chegar à longevidade. Uma delas, é não reclamar de pouca coisa e ela cita outro exemplo, que é de não se continuar lendo um livro que não se esteja gostando. “Boa leitura, bons pensamentos e bons amigos”, complementa.

Ela também fala, claro, da alimentação como diferencial para se alcançar boa saúde, inclusive brinca com uma fala antiga que diz que em casa que se tem maça não se entra médico.

Dia do Médico
E para o dia dos vivem para salvar vidas, Diana Tannos afirma que a profissão se diferencia. “É uma profissão diferente das demais, porque a matéria é humana”, diz.

Ela defende também que uma das características para o médico é a humildade. “O médico tem que ter nessa característica, humilde, ter a virtude da humildade, para poder crescer. Nunca achar que ele resolve totalmente o problema. Em geral, a gente, pelo menos, alivia o sofrimento, nem sempre a gente cura. Mas o alívio do paciente a gente sempre pode conseguir.”

E a relação dela é muito boa, com alunos e com os colegas de profissão. “Até hoje eles me visitam, às vezes, em grupo, pedem conselhos”, comenta a médica que atuou até os 84 anos e já recebeu várias homenagens, sendo a última da PUC, onde trabalhou por boa parte da sua vida.

Aliás, a doutora Dianna Tannos participou da primeira turma da Faculdade de Medicina de Sorocaba, tendo se formado em 1956. “Estamos diante de um novo rumo na medicina. Hoje, em algumas turmas, 70% é mulher. Na minha turma, só tinha oito mulheres, para 50 alunos.”

E você sabe o que é propedêutica médica? A doutora Diana explica: “Ouvir com paciência a história que o paciente tem a nos comunicar, pegar no indivíduo, examiná-los e ser muito rigoroso.” Foi umas das premissas, conforme ela, aprendidas em seu curso.

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